FLORICE: prima, vizinha e sobretudo amiga

Por Sonia de Lucca
Florice

Algumas pessoas tem o dom de serem marcantes, pelo que são e pelo que fazem. Assim foi (e ainda é) a querida prima Florice para nossa família e, em especial, para a minha mãe (Alice Manzato),  que me pediu para escrever essas palavras.

Ontem, minha mãe estava se lembrando de quando nos mudamos de Valinhos para Jundiaí (hoje moramos novamente em Valinhos). Era mes de setembro, como esse que ora se inicia, e fomos morar vizinhos da prima Florice. Ela nos recebeu de braços abertos. Foi logo se prontificando a nos ajudar, ela e seu marido, o primo Valdir Coraini. Minha mãe se lembra bem que a prima Florice providenciou para nós até uma horta, no nosso quintal, reproduzida daquela que ela mantinha e cuidava com todo carinho em seu próprio quintal.

Durante o tempo em que lá moramos, minha mãe cuidou muito bem dessa horta, de onde colhia diariamente vegetais fresquinhos para a nossa alimentação.

Sônia e Aldinho brincando na horta, ao fundo a famosa cerquinha

É interessante lembrar também que a prima Florice as vezes fazia uma super-sopa e nos levava uma bela porção, quentinha, numa tijela de louça, bem antes do horário do jantar, e dizia: “- Alice, não precisa se preocupar com a janta, já fiz para as duas famílias !!!”.

Não moramos nesse endereço por muito tempo, foram dois anos, no máximo, mas foi o suficiente para sentir a força da amizade dessa prima.

Nossos quintais faziam “fronteira”. Havia uma “cerquinha” famosa, que separava os espaços. Eu e meus irmãos Aldinho, Jorge e Paulo (a Cristina ainda não era nascida), estávamos sempre nesse ponto de junção, para brincar com os priminhos Vlademir e Valquíria, filhos da Florice. É fato que, algumas vezes, a brincadeira acabava em brigas e choros, o que é perfeitamente normal na faixa etária que eu, meus irmãos e os priminhos tínhamos na época ( os mais velhos eram Aldinho e Vlademir, com 4 anos de idade). Mas, não demorava, já estávamos lá, na “cerquinha”, chamando para brincar novamente a Quirinha (Valquíria) e o Bi (Vlademir).

Minha primeira boneca com cabelo enraizado (sonho das menininhas da época) que pedi ao papai noel, só se tornou real graças a uma mãozinha da prima Florice – fiquei sabendo disso bem mais tarde. Conta minha mãe que foi a prima Florice que efetuou a negociação da compra, ajeitando um bom desconto na loja de brinquedos, ao adquirir, de uma só vez, duas bonecas – uma para mim outra para Valquiria. A boneca em questão tinha 3 versões : “minha ternura”, “minha catita” e “minha doçura”. Eu ganhei a “minha doçura” e Valquiria ganhou a “minha catita”, versões escolhidas com carinho na loja, pela prima Florice. O desconto conseguido na loja tornou possível a realização desse meu sonho, que minha mãe pôde saldar em suaves prestações. Dei à minha boneca o nome de “Maria Inês” e guardo-a até hoje como uma relíquia.

Sonia com a boneca Maria Inês, Aldinho, Jorge e Paulo

Boneca Maria Inês é guardada até hoje

Mudamos para Valinhos. Muito tempo se passou e, como é comum com as famílias, acabamos por perder o contato depois de certo tempo.

Ao saber que haveria o primeiro grande encontro da familia Manzato, minha mãe se encheu de esperanças de reencontrar com sua tão querida prima. Mas, infelizmente, isso não foi possível.

Nesse mês de Setembro de 2010, 51 anos passados daquela nossa mudança para Jundiaí, queremos deixar, com todo o nosso carinho essa singela homenagem à prima Florice, dizendo que ela permanece em nossa lembrança.

Foi bom demais termos sido vizinhos e convivido com esses tão queridos primos: Florice, Valdir, Valquíria e Vlademir.

3 Respostas to “FLORICE: prima, vizinha e sobretudo amiga”

  1. Jorge Luiz de Lucca Says:

    Que alegria reviver essa passagem, que faz parte da história de nossas vidas. Que bom!

  2. Nelson Says:

    Pois é Jorge. Família é a coisa mais linda que existe. O alicerce das pessoas para a vida, fonte de energia para o mundo. Ninguém é ninguém sozinho. Familia é fundamenta. Parabéns Sonia pelas pelas lembranças de Florice. Mais uma “base” da família, pois somente os pais para perceberem que ali estava uma flor…

  3. Aldo de Lucca Junior Says:

    Muito bom recordar esses momentos. Curioso perceber como detalhes que, para mim, eram desconhecidos ou foram apagados da memória, ficaram marcados nas lembranças da Sonia e parecem fazer reviver tudo. Certamente cada um de nós teria contado essa história de uma forma um pouco diferente, embora todos tenham participado dela. É por isso que nunca nos cansamos de contar e ouvir contarem sobre nossa história.
    Obrigado, Sonia, por nos trazer essas lembranças e faço também minhas as palavras de gratidão e saudade dos nossos primos, vizinhos e amigos.

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